DICAS de português do Brasil

Arquivo da categoria: VÍRGULA

A palavra “que” pode ser um pronome (interrogativo ou relativo), um advérbio, uma preposição, uma conjunção (coordenativa ou subordinativa) ou uma partícula de realce ou expletiva.

A sua utilização precedida ou seguida de vírgula depende não só da sua natureza morfológica como da construção frásica em causa, pelo que, para a esclarecer, o melhor talvez seja enviar-nos uma frase a respeito da qual tenha dúvidas.

Não sendo exaustiva, refiro, no entanto, que:

  1. Como pronome relativo, o que é precedido de vírgula, quando inicia orações explicativas.

Ex.: Ele, que tem a mania que percebe tudo, não estava, afinal, a ver bem a situação.

  1. Como conjunção explicativa ou causal, é sempre precedido de vírgula.

Ex.: Não te distraias, que podes ter um acidente.

  1. Como conjunção consecutiva, também é precedido de vírgula. Ex.: Ele falou tanto, tanto, que ficámos cansados de o ouvir. 4. Na generalidade das outras situações, não é precedido de vírgula. Chamo especialmente a atenção para o que como conjunção subordinativa integrante, que nunca deve ser precedido de vírgula, porque a oração que inicia é parte integrante da anterior.

Ex.: Queria que esclarecesses tudo.

  1. Naturalmente que, na situação anterior, o que pode ter uma vírgula a precedê-lo, se ela estiver a assinalar uma expressão circunstancial de qualquer natureza, uma oração, etc.

Ex.: Quero, diga ele o que diga, que esclareças tudo. 6. Em qualquer das situações anteriores, pode ser colocada uma vírgula depois do que, quando se lhe segue um sintagma explicativo, circunstancial, uma oração, etc. Ex.: Penso que, quaisquer que sejam as circunstâncias, o deves ouvir com atenção.

  1. Repare, no entanto, que, na situação anterior, como essa vírgula indica a introdução de algo adjacente, deverá ser utilizada uma outra vírgula a indicar o fim do sintagma introduzido e a continuação da oração iniciada pelo que.
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Gostaria que me esclarecessem se a frase «Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes» está ou não erradamente pontuada, uma vez que, na escrita, as orações relativas restritivas não se separam por vírgula do substantivo (ou pronome) antecedente.

Em princípio, a vírgula está incorreta, porque a oração introduzida por «cujos» é uma relativa restritiva. Mas o emprego de vírgula com cujo não é dos mais claros. Expliquemos porquê.

Rodrigo de Sá Nogueira, em Guia Alfabética de Pontuação (Lisboa, Clássica Editora, 1989, pág. 31/31), define um preceito sobre o emprego de vírgula com cujo, mas admite exceções:

«Como pronome relativo, equivalente a “do que”, “do qual”, a forma “cujo” (bem como as suas flexões “cuja”, “cujos”, “cujas”, equivalentes respectivamente a “da qual”, “dos quais”, “das quais”) inicia orações de valor adjetivo. Por isso, visto que os adjetivos não devem ser separados por vírgulas dos substantivos que qualificam ou determinam, em princípio a forma “cujo” (bem como as respectivas flexões), pronome relativo, não deve ser precedida de vírgula, embora ela inicie orações. Não obstante isso, quando uma oração relativa de “cujo” constitui uma expressão intercalada, a forma “cujo” é precedida de vírgula. Ex.: “Vi o homem cujo filho é bom”; “o homem, cujo filho é bom, partiu ontem para o Porto”.»

Diga-se que o caso de oração intercalada em que a vírgula é aceita por Sá Nogueira é, no fundo, o de uma oração relativa apositiva e não o de uma relativa restritiva. Esta diferença é mais bem observada quando ocorre o pronome que:

(1) «Vi o homem que tem dois filhos geniais a dizer disparates.»/«Vi o homem cujos filhos são geniais a dizer disparates.»

(2) «Vi o homem, que tem dois filhos geniais, a dizer disparates.»/«Vi o homem, cujos filhos são geniais, a dizer disparates.»

Em (1), acontece que as orações «que tem um bom filho» e «cujo filho é bom» restringem a significação de «o homem», tornando-se como que características essenciais da pessoa que for referente desta expressão. Em (2), as mesmas orações relativas dão informação acessória, porque «o homem» equivale a uma entidade já bem caracterizada pelo contexto (situacional ou textual); como tais orações funcionam como um aposto, diz-se que são apositivas.

Em relação à frase do consulente, a oração relativa «cujos proprietários estão ausentes» define um dos tipos de automóvel existentes na rua. Sendo assim, a vírgula não é de aconselhar: «Há automóveis na rua cujos proprietários estão ausentes.» Contudo, esta frase acaba por gerar ambiguidade, porque «cujos proprietários estão ausentes» pode referir-se a «rua». Para evitar esta interpretação, é melhor alterar a ordem do constituinte «na rua»: «Na rua, há automóveis cujos proprietários estão ausentes.»

Fonte: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-virgula-antes-de-cujo/23873


Os sinais de pontuação servem para:

  1. separar trechos da escrita (palavras, expressões, frases e orações) que devem ser evidenciados;
  2. indicar as pausas e a entoação da voz durante a leitura;
  3. eliminar as possíveis ambiguidades, isto é, sentido duplo.

Quanto à necessidade do emprego dos sinais de pontuação, afirmamos: eles são indispensáveis pelas razões acima expostas. Para você ter uma ideia da importância desses sinaizinhos, imagine-se no lugar do réu, depois de receber a decisão de um juiz conforme os períodos abaixo.

O tribunal condenou, eu não absolvo.
O tribunal condenou. Eu não, absolvo.

Pelos exemplos acima, vê-se que o réu poderá ser condenado ou absolvido. Tudo dependerá apenas de uma questão de pontuação! Ainda bem que tudo não passa de mera imaginação. Todavia, percebeu-se a importância real dos sinais de pontuação.

Para você desenvolver natural habilidade no emprego dos sinais de pontuação, e não haver mais nenhuma dúvida sobre o assunto, a exigência é o conhecimento de análise sintática.

Não existem regras rígidas sobre o emprego dos sinais de pontuação, uma vez que não há unanimidade quanto ao seu uso entre os escritores e gramáticos. Por isso, dar-se-ão aqui as normas já consagradas pelo uso geral na língua escrita.


DICAS DA LÍNGUA Portuguesa

Vírgula

Vírgula no interior da oração:

Na língua portuguesa a ordem direta dos termos da oração é a seguinte:

SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO + CIRCUNSTÂNCIA

NÃO SE SEPARAM ESSES TERMOS POR VÍRGULA

Vejamos um exemplo:

 O senador deu um presente à namorada hoje.

SUJEITO – O senador

VERBO – deu (transitivo direto para coisa e transitivo indireto para pessoa)

COMPLEMENTO – um presente à namorada (objetos, predicativos)

CIRCUNSTÂNCIA – hoje. (tempo, lugar, modo, etc.)

Outro exemplo:

Algumas eleitoras enviaram cartas ao congresso.

SUJEITO – Algumas eleitoras

VERBO – enviaram

COMPLEMENTO – cartas ao congresso. (oração na ordem direta prescinde de vírgulas)

Termos intercalados que quebram a ordem direta da frase (são separados por vírgula):

Aposto explicativo

O senado, a casa da moralidade do Brasil, já não atrai tantos canalhas.

O criador da “casa da rabeca”, “Mestre Salu”, nasceu em Pernambuco.

 Expressões de caráter corretivo ou explicativo

 As suas palavras, ou melhor, os seus gestos merecem honroso registro.

A lua estava linda, quer dizer, maravilhosa!

Aquelas árvores, por exemplo, por que derrubá-las?

Somos todos crianças, isto é, seres humanos.

 Separar termos de mesma função sintática:

 “Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro.” (advérbios) Cecília Meireles

 Comi mamão, abacaxi, maçã, etc. (substantivos) (há vírgula após o etc. porque significa outras coisas ou, simplesmente, o resto, e não a última coisa da enumeração).

 Professores, alunos e funcionários devem-se respeitar. (após o último termo não se coloca vírgula)

 Ela é linda, inteligente e feliz. (adjetivos) 

 Separar as conjunções intercaladas:

 O alto risco do negócio, no entanto, não compensava o investimento.

No entanto, o alto risco do negócio não compensava o investimento.

O alto risco do negócio não compensava o investimento(,)no entanto. (opcional a vírgula para se separar a circunstância, se a oração for de grande extensão, a gosto do freguês)

 O inquilino, apesar de tudo, estava com a razão.

Apesar de tudo, o inquilino estava com a razão.

O inquilino estava com a razão (,) apesar de tudo.

Os jogadores, naquele campeonato, demonstraram despreparo físico e técnico.

Naquele campeonato, os jogadores demonstraram despreparo físico e técnico.

Os jogadores demonstraram despreparo físico e técnico (,) naquele campeonato.

 O frio, naquela noite, dava-nos a sensação de congelarmos.

Naquela noite, o frio dava-nos a sensação de congelarmos.

O frio dava-nos a sensação de congelarmos(,) naquela noite.

 Afirmam alguns gramáticos que não há necessidade de se usar vírgula caso o adjunto adverbial e a oração forem de pequena extensão.

Os jogadores sempre buscam a vitória. (a ordem direta da oração seria Os jogadores buscam a vitória sempre)

Amanhã choverá. (Choverá amanhã)


A VÍRGULA SERVE TAMBÉM PARA:

Marcar o vocativo: a vírgula é obrigatória onde quer que esteja o vocativo, no início, meio ou fim da oração).

Deputado, faça o correto!

A certeza, caro deputado, é que o recurso desapareceu.

O que você está fazendo, deputado?

A VÍRGULA SERVE TAMBÉM PARA: separar orações subordinadas adverbiais

Para separar orações subordinadas adverbiais quando iniciam o período composto:

 Quando o deputado chegou, ela partiu.

Para construir a casa, o deputado não precisou endividar-se.

 Para separar orações subordinadas adjetivas explicativas:

O deputado, que é meu amigo, vai participar da festa no xadrez.

O mandato, que é breve, deve ser aproveitado.

(perceba que se tirarmos estas orações explicativas de seus lugares não se perderá o sentido da oração principal)

 

As adjetivas restritivas não podem ser separadas por vírgula:

 

O prefeito que esteve aqui hoje não é meu pai, apesar de ser casado com minha mãe antes do meu nascimento.

 O sino que a igreja possui faz um barulho ensurdecedor.

(Nem todo sino faz um barulho “ensurdecedor”. Aqui a coisa foi bem sutil, mas tinha esta intenção para se observar que às vezes se parecem as explicativas com as restritivas)

Para separar orações coordenadas:

O senador não foi convidado, mas foi à festa de formatura. (adversativa)

Volte ainda hoje, pois seus pais chegaram. (explicativa)

Ou você vai comigo hoje, ou nunca mais vai. (alternativas)

Para separar as orações coordenadas ligadas pela conjunção “e” quando os sujeitos das orações forem diferentes:

Ele cantou divinamente, e todos aplaudiram. (aqui cai o mito que não se leva vírgula antes da conjunção “e”)

Para separar orações intercaladas apositivas indicativas

Esta rua, disse-nos o guarda, foi interditada.

Aquela aula, comentou o aluno, estava cansativa.

Hoje, afirmei com franqueza, fiz o que pude.

Adaptadao de Sergio.labruna