Bernardo cumpriu sua jornada de trabalho sem maiores problemas. Assim, recolheu suas ferramentas de trabalho e foi embora. No caminho que separa o castelo da casa de Bernardo, ele se deparou com um crocodilo africano que devorou uma de suas pernas. Enquanto era devorado, prometeu a São Longuinho que se ele intercedesse junto a deus e salvasse sua vida ele daria três pulinhos de Saci-Pererê. O milagre aconteceu e, após Bernardo fazer um torniquete, sua hemorragia foi estancada milagrosamente. Andando em uma perna só, ele passou três dias perdido no deserto. No final do terceiro dia ele implorou a deus para não morrer e, após algumas orações, encontrou um caçador. Ele olhou para o céu e afirmou que aquilo só podia ser um milagre. O caçador o reconheceu e disse que sabia como deixá-lo em sua casa em apenas uma hora, mas tendo sido picado por uma cobra, pouco lhe restava de vida. Antes de morrer o caçador apontou a direção da casa de Bernardo e disse que para chegar a casa ele teria que passar por um rio cheio de crocodilos. Bernardo não se desanimou e, diante do rio, passou três horas rezando e pedindo proteção a deus para atravessar ileso. Por fim, pulou no rio e, enquanto nadava, Bernardo era seguido por crocodilos que disputavam a preferência de saboreá-lo. Nadando com apenas uma perna, só um milagre faria com que ele conseguisse realizar aquela proeza. Na confusão crocodiliana, ele chegou à margem e rezou agradecendo o milagre. Andou, digo, pulou por mais trinta minutos e avistou sua casa. Não se conteve ao ver seu lar e, na frente dele, sua esposa desesperada abrindo os braços para recebê-lo. Pulando de braços abertos na direção da esposa ele gritou:

– Meu deus é realmente grande! Meu amor, deus fez um milagre em mim! Faremos um culto para…

 Ele não conseguiu terminar a frase, pois se encontrou de frente com a chifrada de um touro bravo. Bernardo não sabia, mas quando viu Marcelo e Horácio saltitando felizes em direção ao encontro com Ramilete, aquela seria sua última aparição na peça de Shakespeare.