DICAS de português do Brasil

Arquivo do mês: fevereiro 2016

PORTUGUÊS EM GOTAS O MILHAR ou A MILHAR?

As palavras MILHAR e MILHÃO são substantivos masculinos: a) A maioria DOS SEUS MILHARES de seguidoras são meninas com menos de 18 anos. b) NOS MILHARES de palavras que escreveu, poucas se aproveitam. c) OS SEUS MILHÕES de fãs são senhoras se meia-idade. d) Havia UM MILHÃO de pessoas presentes no show. e) OS DOIS MILHÕES de pessoas que lotaram a praia se sentiram contentes.

A palavra MIL é um numeral e, por isso, artigo ou numeral que o acompanhe concordará com o substantivo: e) Ela já leu histórias de “AS MIL e UMA noites…”. f) DOIS MIL alunos farão provas em Curitiba” g) DUAS MIL pessoas prestarão concurso para o cargo de “comissário de bordo”.

Fonte: https://pt-br.facebook.com/ricardoaerse/posts/10200333101796980


Na casa de polônio, Laertes se prepara para viajar levando uma carga de “coisas” de jumentos para a França. Enquanto isso, em um dos cômodos da casa, nua, Ofélia veste vagarosamente sua meia calça. De corpo moreno escultural, a virgem se veste para se despedir do irmão. O vestido desliza suavemente pelo seu corpo enquanto uma brisa gelada que entrou pela janela faz os pelos do bumbum bem desenhado arrepiarem. Os bicos dos seios perfeitos intumesceram com o frio e ela envolveu seu corpo com os braços, atritando as mãos aos ombros, buscando aquecer-se. Arruma os cabelos longos, castanhos e levemente cacheados, descobrindo os ombros delicados. Pinta os lábios com um batom suave, cor de pele, enquanto o espelho estremece de prazer ao ver o mais puro, lindo e honesto rosto de mulher. Um rosto nunca tocado por mãos sujas de machos cujos comportamentos lascivos os tornam indignos de estarem no mesmo ambiente que ela. Após a pintura, suspira e se imagina nos braços do amado Ramilete. Qualquer homem de verdade se sentiria mais sortudo e mais poderoso que qualquer deus já criado pelos homens se apenas merecesse, por um segundo, o olhar de Ofélia. No entanto, Ramilete, jovem inexperiente e donzelo, apaixonado por ela, agia da mesma forma como agem os potros jovem no cio que necessitam de ajuda do vaqueiro para a introdução da “coisa” na “coisa” da égua. Sem a ajuda do vaqueiro, é capaz de o potro enfiar aquela “coisa” no ouvido da coitada da égua. Mas, fazer o que? Quis a natureza que uma fêmea daquela magnitude, como é o caso de Ofélia, se apaixonasse por um imaturo.

– Ofélia, querida, não posso esperar para sempre! Minha carruagem vai partir!

– Estou indo, irmão!

Ofélia chega à sala e encontra o irmão. Ele a observa de cima a baixo e diz:

– Farei sarapatel do fígado do primeiro porco que tocar esse corpo. Você está linda, como sempre, irmã.

Ele a abraça e na despedida diz:

– Não se esqueça de me mandar notícias. Quanto a Ramilete, aquele Mané, e os encantamentos de suas atenções, aceite isso apenas como algo passageiro.

– Não mais que isso?

– Não mais. Ele é apenas um mamão, um pau mandado, mas ainda é rico e nobre. Você é apenas uma linda filha de um servo. Ramilete, certamente, vai fazer a vontade do tio, para o bem dos negócios da família. Ele jamais terá vontade própria. Cuide-se. Quando aquele mané diz que te ama está apenas desejando que você facilite e ele a derrube numa cama.

– Não sei se ele é capaz, irmão.

– Não duvide, irmã, até um cego consegue. Vai tateando, tateando… Assim, pense bem e defenda sua honra. Se abrir as pernas ele pega você com dificuldade, mas pega. Cuidado, irmã! A donzela mais casta não é bastante casta se retira a casca e seu corpo gasta, oferecendo sua…

– Sua rima não parece muita boa, dileto irmão.

– Foi mal. Eu quis dizer que não desnude seu corpo para um cachorro se satisfazer à luz da lua. Nunca esqueça que batatinha quando nasce esparrama pelo chão e as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.

– Não entendi essa última frase, amado irmão.

– Eu quis dizer que colchão e travesseiros de pena de ganso, esparramados pelo chão, costumam presenciar o voo dos cabaços das donzelas atraídas pelo canto da sereia, entendeu?

Com a cabeçinha um pouco zonza, ela indicou que entendeu e disse:

– Ah, tá. Agora, vê se não faz como os falsos defensores da castidade alheia que dizem uma coisa e fazem outra. Não caia no canto das sereias e se beber não dirija. Se dirigir não beba. Se beber, durma virado para a parede.

– Não entendi, cara irmã, essa última frase.

– Eu quis dizer que caneco de bêbado não tem dono, amado irmão.

– Ah, tá. Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, estica lá, encolhe cá, vai pelando o sabiá.

– Não entendi, doce e adorável irmão, essa última frase.

– Eu quis dizer que você fique longe da pomba de Ramilete. Deixe ele se acabar na mão feito colher de pedreiro.

– Ah, tá. Bem aventurados os padeiros que não queimam a rosca, pois eles…

– Tchau, papai está vindo aí. – Interrompeu Laertes.

– Aí, também! – Respondeu Ofélia.

 


Bernardo cumpriu sua jornada de trabalho sem maiores problemas. Assim, recolheu suas ferramentas de trabalho e foi embora. No caminho que separa o castelo da casa de Bernardo, ele se deparou com um crocodilo africano que devorou uma de suas pernas. Enquanto era devorado, prometeu a São Longuinho que se ele intercedesse junto a deus e salvasse sua vida ele daria três pulinhos de Saci-Pererê. O milagre aconteceu e, após Bernardo fazer um torniquete, sua hemorragia foi estancada milagrosamente. Andando em uma perna só, ele passou três dias perdido no deserto. No final do terceiro dia ele implorou a deus para não morrer e, após algumas orações, encontrou um caçador. Ele olhou para o céu e afirmou que aquilo só podia ser um milagre. O caçador o reconheceu e disse que sabia como deixá-lo em sua casa em apenas uma hora, mas tendo sido picado por uma cobra, pouco lhe restava de vida. Antes de morrer o caçador apontou a direção da casa de Bernardo e disse que para chegar a casa ele teria que passar por um rio cheio de crocodilos. Bernardo não se desanimou e, diante do rio, passou três horas rezando e pedindo proteção a deus para atravessar ileso. Por fim, pulou no rio e, enquanto nadava, Bernardo era seguido por crocodilos que disputavam a preferência de saboreá-lo. Nadando com apenas uma perna, só um milagre faria com que ele conseguisse realizar aquela proeza. Na confusão crocodiliana, ele chegou à margem e rezou agradecendo o milagre. Andou, digo, pulou por mais trinta minutos e avistou sua casa. Não se conteve ao ver seu lar e, na frente dele, sua esposa desesperada abrindo os braços para recebê-lo. Pulando de braços abertos na direção da esposa ele gritou:

– Meu deus é realmente grande! Meu amor, deus fez um milagre em mim! Faremos um culto para…

 Ele não conseguiu terminar a frase, pois se encontrou de frente com a chifrada de um touro bravo. Bernardo não sabia, mas quando viu Marcelo e Horácio saltitando felizes em direção ao encontro com Ramilete, aquela seria sua última aparição na peça de Shakespeare.


Ai (sem acento) exprime dor, tristeza, desespero ou, às vezes, alegria, contentamento:
Ai! Quebrei o braço!
Ai, que saudades que tenho!
Ai que me mataram o rapaz!
Ai, que bom que é!
Aí (com acento) pode ser advérbio e é empregado nestes casos:
1. No sentido de nesse lugar:
A chave está aí, perto da bolsa.
2. No sentido de até esse lugar:
Já vou aí.
3. Para indicar o lugar em que está a pessoa com quem se fala:
Aí é o escritório do Dr. Abreu?
4. . No sentido de nesse momento:
Mas aí me lembrei de você.
5. . No sentido de certo momento:
Até aí, eu não sabia de nada.
6. No sentido de nesse ponto:
É aí que reside o problema.
7. Para indicar o lugar antes mencionado:
Foi para a França estudar e aí construiu sua vida.
8. No sentido de nesse caso (referindo-se a acontecimento hipotético):
Se ele não disser a verdade, ela vai se sentir traída. E aí não tem jeito: é separação na certa!
9. Para indicar aproximação de algo:
Vem aí a neve.
10. No sentido de junto; em anexo:
Aí vai o arquivo.
11. Para indicar a proximidade com algum lugar, mas de modo impreciso:
Moram aí por vigário geral.
12. Para indicar valor ou quantidade imprecisos, com a noção de ‘mais ou menos’ e de ‘cerca de’:
Ele tem aí uns doze relógios de pulso!
13. Para indicar tempo ou data imprecisos, quando seguido da prep. Por:
Foi aí pelos anos 50 que se casaram.
14. No sentido de em qualquer parte; pelo mundo:
Desde que terminou o namoro anda aí feito um fantasma.
Aí (com acento) pode ser interjeição e é empregado nestes casos:
1. No sentido de aprovação, cumplicidade ou malícia:
Aí, isso é que é goleiro!
2. para chamar alguém ou para atrair-lhe a atenção:
Aí, menino! Sabe onde fica a Rua Paissandu?
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