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Flexão do infinitivo e concordância

Flexão do infinitivo e concordância

Por Thaís Nicoleti

A flexão do infinitivo, convenhamos, é um problema para a maioria dos redatores, geralmente às voltas com as dúvidas sobre o tema. Para piorar a situação, há casos em que é preciso considerar duas regras conflitantes e equilibrá-las de forma coerente.

Normalmente, quando está apassivado (ser feito, ser eleito, ser homenageado), havendo sujeito plural, o infinitivo vai para o plural. Por exemplo: “Eram jovens que, pela primeira vez, tinham a oportunidade de serem eleitos”. Como o particípio sofre a flexão de gênero e número, o infinitivo do verbo auxiliar (“ser”), até por eufonia, vai também para o plural, acompanhando a flexão de número do particípio (“serem eleitos”, em vez de “ser eleitos”).

O redator deparou, entretanto, com a seguinte situação:

Humoristas, como Tiririca, usam fama para tentar (ser ou serem?) eleitos.

Optou pelo seguinte:

“Humoristas, como Tiririca, usam fama para tentar serem eleitos“.

A solução não foi das melhores. O verbo apassivado foi construído com um auxiliar (“tentar”). Na prática, a locução tem dois verbos auxiliares, “tentar” e “ser” (este o auxiliar da voz passiva). Num caso como esse, somente o primeiro auxiliar (no caso, “tentar”) sofre a flexão. Para facilitar a compreensão, basta imaginar um período como “Neste ano, eles deverão ser eleitos” (dificilmente alguém optaria por “deverão serem eleitos”).

No caso em questão, todavia, contribuiu para a confusão o fato de o infinitivo (“tentar”) não estar flexionado, coisa que se explica pelo padrão da flexão do infinitivo. Não havendo mudança de sujeito (do verbo anterior, “usam”, para o infinitivo subsequente, “tentar”), não se faz a flexão. Um exemplo simples para facilitar o raciocínio: “Eles usam a fama para ganhar (não “ganharem”) dinheiro”, porque “ganhar” tem o mesmo sujeito de “usam”.

Muito bem. Fica explicado o motivo pelo qual “tentar” não sofreu a flexão de número (plural). Juntando as várias informações, chegaríamos à construção mais facilmente abonada pelos nossos ouvidos:

Humoristas, como Tiririca, usam fama para tentar ser eleitos.

Infinitivo – Concordância

Infinitivo – Concordância

Um político norueguês ensinou os bandidos a estudarem.

A Gramática padrão reza que o infinitivo deve ser flexionado:

Um político norueguês ensinou os bandidos a estudarem.

 Essa frase tem dois verbos (ensinar e estudar), cada um com seu sujeito, o qual é encontrado perguntando-se Quem? ao verbo. Quem ensinou? Um político norueguês é sujeito; Quem estudar? Os bandidos é o sujeito.

Se os dois verbos possuírem o mesmo sujeito, o infinitivo será impessoal:

Os jumentos devem repor as perdas salariais dos deputados (quem deve? Os jumentos; quem repor? Os jumentos). Ficaria horrível “Os jumentos devem reporem”.

Se o verbo introduzido por preposição (principalmente a, sem, com, em, de) estiver no início da frase, preferir-se-á o infinitivo flexionado, mesmo que tenha o mesmo sujeito do outro verbo da frase:

Ex. Sem comerem, ficarão desnutridos.

Por eufonia, no entanto, pode-se manter o infinitivo não-flexionado, principalmente quando o verbo vier depois do sujeito:

Ex. Ficarão desesperados ao encontrar o pai.

2) O político mandou os eleitores dançar ou dançarem? Tanto faz. Pode usar o infinitivo pessoal ou o impessoal.

Atente nos verbos mandar, fazer, sentir, deixar, ouvir, ver, etc., quando seguidos de sujeito de um verbo no infinitivo. Nesses casos, o infinitivo pode flexionar-se ou não. Veja só: Você já deixou AS MENINAS brincarem (ou brincar)? Verbo deixar + sujeito (as meninas) + verbo no infinitivo (brincar ou brincarem).

Outros exemplos: Todos os deputados ouviram AQUELAS CRIANÇAS gritarem (ou gritar); Veja OS BOIS morrerem (ou morrer); etc. Observação: se o sujeito do verbo no infinitivo for um pronome oblíquo (o, a, os, as, me, te, se, nos, vos), o infinitivo obrigatoriamente será impessoal (não-flexionado).

Exemplos: Eu OS vi morrer (quem morrer? Os – que substitui os bois – é o sujeito; Você já AS deixou brincar?; “E não NOS deixeis cair em tentação”; etc.

Aconselha-se, no entanto, que o infinitivo seja flexionado quando a ação for reflexiva (sai do sujeito e volta a ele), recíproca (troca de ações entre seres) ou passiva (o sujeito sofre uma ação): Vi-os ajoelharem-se perante mim (a ação de ajoelhar residiu no próprio sujeito); Deixamos os garotos se olharem (um olhou o outro – troca de ações); Deixamos as moedas se gastarem (… as moedas serem gastas – veja que as moedas sofrem a ação de serem gastas).

Aliás, sempre que estiver na voz passiva, o infinitivo será flexionado se o sujeito for plural: Os trabalhos a serem feitos estão na mesa; O trabalho a ser feito…

3) Quando se quiser enfatizar que o sujeito da ação é indeterminado (não se sabe quem é ou não se quer revelar), o infinitivo é flexionado.

Exemplo: Ouvi falarem mal de você.

4) É bastante freqüente também a construção de locuções (locução, em Gramática, é o mesmo que duas ou mais palavras desempenhando o papel de uma) com os verbos continuar, estar, começar, acabar, tornar, etc. + preposição a ou de + verbo no infinitivo.

Exemplos: Elas começaram a chorar; Nossos primos acabaram de chegar; Vocês continuarão a nos provocar?; etc. Como se pode observar, o infinitivo não é flexionado nesse caso. Na verdade, ele já foi discutido, pois trata-se de verbos que possuem o mesmo sujeito.

5) Quando o infinitivo complementar adjetivos (fácil, difícil, bom, disposto, cansado, etc.), também não será flexionado.

Exemplos: Que exercícios difíceis de resolver; Os soldados estão dispostos a morrer pela pátria?; etc.

INFINITIVO

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Infinitivo

Conceitos:

1) infinitivo – é o verbo em seu estado natural, terminando em ar, er ou ir (e or, no caso do verbo pôr).

Exemplos: cantar, estudar, vender, soer, partir, etc.;

2) infinitivo pessoal – é aquele que, como o próprio nome diz, se refere às pessoas do discurso. Exemplos: para eu amar, para tu amares, para ele amar, para nós amarmos, para vós amardes, para eles amarem. (R, ES, R, MOS, DES, EM)
3) infinitivo impessoal – é o infinitivo que não se flexiona de acordo com as pessoas do discurso. Fica sempre do mesmo jeito: chorar, amar, sofrer, resistir, etc.

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